segunda-feira, 29 de outubro de 2012
“– Você precisa superar isso. O mundo não vai parar só porquê a sua vida resolveu se estagnar no tempo. Eu sei, foi forte, intenso e indestrutível. Mas chegou ao fim. – dizia a minha psicóloga que tinha um sobrenome italiano difícil de pronunciar, enquanto eu refletia sobre tudo aquilo que planejava esquecer. Amores eternos também chegam ao fim, não é? Triste foi ter chegado a essa conclusão nos últimos minutos do segundo tempo, quando a bola estava quase balançando a rede da solidão. Não importa quantas sessões de terapia eu faça, quantas fotos eu queime ou quantos milhões eu gaste em remédios anti-depressivos, anti-amor, anti-agustia: as lembranças sempre voltam. Uma hora ou outra, no meio de um jantar informal, na corrida diária no parque ou até mesmo embaixo do chuveiro, elas sempre voltam. E voltam com mais intensidade comparada a última vez que vieram. Lágrimas acompanham as memórias importantes como uma enxurrada de dor. Algo deveria mudar drasticamente - no caso, não se tratava do mundo, se tratava de mim. Compreendi, depois de um longo tempo vivendo de filmes românticos e barrinhas de cereal, que finais - de histórias, amores, novelas, filmes, seriados, amizades, parcerias - são fundamentais. Ninguém deve criar raiz em área que pode ser devastada. E o pior é que todas as áreas correm esse risco. A minha psicóloga de sobrenome estranho estava certa: chegou ao fim. Mas isso não quer dizer que seja o fim da minha vida, o fim do século ou o fim dos tempos. Não existe mais nós, eu sei, mas ainda existem várias festas que eu preciso ir, várias pessoas novas que eu vou conhecer e várias bebidas exóticas pra eu experimentar. A nossa história acabou, mas ainda existem tantas outras que eu tenho pra viver e contar e recontar e lembrar. O mundo é cheio de coisas, cheiros, pessoas, sorrisos e olhares que eu posso sentir falta. Seria muita injustiça da minha parte gastar todas as minhas forças pra sentir saudade de algo, sentindo saudade de você. Descobri, depois de entrar em todo esse buraco infinito de dores desnecessárias, que posso ser muito mais mulher do que um dia fui menina. A minha auto-estima, auto-confiança e auto-bom-humor precisavam ser resgatados. Após longas conversas semanais com a minha psicóloga que, por sinal, nunca decoro sequer o nome, resolvi escutá-la. Iria superar tudo isso, custe o que custasse. Vou arrancar todo esse resto de podridão de passado misturado com todos os tipos de sentimentos ruins que habitam aqui dentro – disse em voz alta, pra que qualquer um pudesse escutar, inclusive o meu subconsciente que cisma vez ou outra em sabotar a minha razão. Pra falar a verdade, não sei exatamente pra quem ligar e despejar toda essa minha raiva compulsiva em querer e, principalmente, precisar seguir em frente. Ninguém me abriga. Nenhum bar, nenhum restaurante, nenhum cidadão de coração bom. Volto pra casa, mais uma vez, destruída. Deito a cabeça pesando mil e uma toneladas no travesseiro e penso em como os finais também têm um lado bom.”
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